Chega.Basta.Não aceitamos mais.

Dedurado por Anônimo em 16:21



Recebi dois ótimos artigos pela Internet. Eles vêm sendo veiculados com força, pelo menos em Pernambuco. São de dois amigos, o escritor e jornalista José Teles (intitulado “Tem rapariga aí?”, referindo-se a uma frase usada em show de uma determinada banda brega), e o cineasta e produtor cultural Anselmo Alves (intitulado “Quero meu Sertão de Volta!”).

 Os dois fazem denúncia de que bandas que se intitulam “forró” estão invadindo cidades e espaços musicais para reproduzir chavões machistas, agressivos e de péssimo gosto. Jovens adolescentes dançam coreografias que induzem à exploração banalizada do sexo – mais especificamente, à exploração do corpo feminino para a comercialização dos shows, discos e DVD’s das ditas bandas. Achei por bem, como mulher, continuar o debate.

Na realidade, a indignação pela coisificação da mulher, exploração do corpo feminino e banalização do sexo diante de um público adolescente sempre foram denunciados pelo movimento de mulheres e por “esse povo dos direitos humanos”, povo do qual faço parte. Quem acompanhou a indignação com as músicas “Pega ela aí, pega ela aí, pra quê, pra passar batom” e “Veja os cabelos dela” e os protestos da Marcha das Mulheres em outdoors nos quais o corpo feminino era objetificado para o estímulo ao consumo, sabe que, há bastante tempo, a voz da mulher se levanta contra sua exploração e a discriminação a que ainda somos submetidas em determinação de manifestações culturais.

No entanto, nossa voz é freqüentemente abafada no ruído dos interesses comerciais e do descaso de juristas. E por que não lembrar “companheiros” que rotulam tal indignação de “histeria” ou de “complexo de mulheres feias e mal amadas”? Um exemplo de descaso completo foi a resposta do procurador da República Marcelo Mesquita Monte, do Ministério Público Federal de Pernambuco, à representação de entidades do movimento de mulheres feita contra cervejarias em 2005. Naquele ano, nossos espaços sociais foram invadidos por outdoors e propagandas comerciais da Antártica, Brahma e Skol que utilizavam o corpo da mulher – aliás, partes dele, já que não usavam muito as cabeças – como instrumento de comparação às cervejas a serem consumidas.

Ou seja, a coisificação do corpo feminino tal qual objeto de consumo. Pois. O tal procurador respondeu pelo arquivamento, com frases do tipo “O homem adulto deseja conquistar a linda mulher de corpo ideal”, “Ao visualizar o produto que a propaganda ligou ao seu objetivo de felicidade, que chamaremos de desejo, o expectador tende a sentir uma simpatia pela mercadoria, não pelo que ela é, mas pelo que ela invoca”, “Temos que (...) nesses casos a agressão não é ao congênere do desejo invocado para vender o produto, mas sim do próprio consumidor, que é levado a comprar algo pelo motivo errado”, ou seja, afirmou que “Na propaganda de cerveja não tenho como agredidas as mulheres em geral, mas sim o próprio homem, que ao invés de escolher determinada marca de bebida pelos seus motivos intrínsecos, o faz em decorrência da semi-hipnose criada pela peça publicitária”.

Mas, gente, essa pérola é apenas um exemplo. A invisibilidade da luta feminina por dignidade humana foi tão bem consolidada nos meios jurídicos que a situação iniciada por um “Pega ela aí, pega ela aí” declinou para jargões que não ouso escrever nesse site de tão bom nível. Assim, continuamos, nós mulheres, a fazer as denúncias que caem no vazio formalista de um país onde a tal “liberdade de expressão” é mais usada para agredir pessoas com comentários racistas, machistas e homófobos e para incentivar a pornografia que explora adolescentes em shows, do que para a expressão pela cidadania e pelos direitos humanos.

Enquanto nossa voz de protesto e nossas denúncias sobre propagandas comerciais e sobre as tais bandas musicais – que fazem até apologia ao abuso sexual de bebês meninas (em representação de fantasia sexual entre “papai/homem e bebê/mulher”, como é o caso de “Colo de Painho”, da Banda Bichinha Arrumada), forem invisibilizadas, é certeiro que a qualidade das manifestações culturais massificadas hão de cair sempre vertiginosamente, como vem acontecendo. E daí pra baixo. Parece não haver limite para o mercado que se regozija com o sucesso generalizado do mau-gosto sexista.

Não suporto mais ouvir pelos meios de comunicação de quantas Isabellas , Eloás, garotas de apenas 10 anos grávidas do próprio padrasto, garota encontrada mutilada numa mala na rodoviária, mulheres , mães , filhas , crianças , abusadas , espancadas e ninguém parece não se incomodar.Meu medo maior é dessa dormência pelos valores que acreditávamos serem corretos.Acorda MULHER!!!!!! Nós sangramos uma vez ao mês .Não temos que sangrar todos os dias.Defenda e faça valer os seus Direitos! Beijos.Glau... www.glaucianelourenco.com.br.


6 Deduradas

  1. Anônimo Said,

    Como sempre dona Glau passando um bom recado!!!

    "Não suporto mais ouvir pelos meios de comunicação de quantas Isabellas , Eloás, garotas de apenas 10 anos grávidas do próprio padrasto, garota encontrada mutilada numa mala na rodoviária, mulheres , mães , filhas , crianças , abusadas , espancadas e ninguém parece não se incomodar."

    Nesta hora pensei que estava lendo um post do BUM! rsrsrrs Brincadeira!!!

    Abraços...

    Posted on 17 de novembro de 2008 às 19:40

     
  2. Nafitalina Said,

    Comentar um post desses me deixa eternamente feliz por alguns motivos: Primeiro, acho absurdo o que vem acontecendo na música brasileira. Antigamente música era sinal de cultura, hoje é sinal de putaria, ver bandas como essa profanando tanta merda por aí assusta. Outra coisa, sou publicitário e sempre que vejo ataques como os ditos no post sou obrigado a concordar, desde que entendo por gente a Skol e todas as outras da AMbev são marketing e propaganda engarrafada. Acho de extremo valor uma profissional tão atuante, antenada e cosmopolita como Glauciane Lourenço, erguer a bandeira dessa causa. A depreciação da mulher pela sociedade machista e consumista já se tornou absurda e nojenta. ver cenas como as citadas no post acabam por nos fazer pensar o quanto o homem brasileiro é idiota, cafona, machão e estúpido. Podem me chamra doq ue quiser, ams como homem não vou compactuar com um abuso desses. Parabéns Glauciane por expor de forma tão eficaz uma tema tão delicado.
    Bjos Glau te amo e abraços para a turma do blog.

    Posted on 17 de novembro de 2008 às 19:42

     
  3. Anônimo Said,

    Glau , estes valores que você discutiu na matéia, sem dúvidas,são de suma importância para sociedade em que vivemos hoje. A mulher, comparado ao que era antes , evolui e acabou conquistando direitos que não lhe eram permitidos.Contudo , algumas pessoas ainda degridem a imagem feminina , sendo este , considerado por mim e pelo visto por você... um sinônimo de ignorância e de seres que infelizmente não têm NADA a nos oferecer , não é mesmo ? Essa gente que não se situou no século XXI, só merece o nosso despreso e como vc disse: o nosso BASTAAA ! O nosso grito perante aos absurdos que temos que suportar dia após dia, ABRAAM OS OLHOS MULHEREES, NÓS SOMOS INFINITAS VEZES MAIS DO QUE UM CORPINHO BONITINHO .

    Posted on 17 de novembro de 2008 às 20:05

     
  4. Anônimo Said,

    Este comentário foi removido pelo autor.

    Posted on 17 de novembro de 2008 às 20:19

     
  5. Anônimo Said,

    glau,essa materia q vc realizou foi bm sucedida pras pessoa verem que naum e a prpaganda que vc tem que ter a reparaçao na compra de seu produto de consumaçao .
    as pessoas tem que reparar que,o produto a ser comprado tem q ter os valores de qual consta os quesitos qualidade e naum o desejo de consumir um produto ondi a qualidade e a mulher ou qual seja a propaganda do produto .vc arrasou nessa materia !!!!!!

    Posted on 17 de novembro de 2008 às 20:21

     
  6. Anônimo Said,

    www.obscenica.blogspot.com

    Tratam deste assunto através de manifestações teatrais, ocupações urbanas...entrem e comentem...

    Posted on 15 de abril de 2009 às 11:37