Começo de história: a Folha de S.Paulo, em editorial de 17/2, aplica a expressão “ditabranda” em referência ao regime militar brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, insinuando que as coisas por aqui foram moleza comparada a outros países da américa latina, segue uma tabela abaixo pra melhor ilustração do período.
Oque aconteceu foi que leitores caíram de pau com email pra redação, com respostas a essa babaquice como:
“Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de ‘ditabranda’? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar ‘importâncias’ e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi ‘doce’ se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala - que horror!”
“O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17/2, bem como o diretor que o aprovou, deveria ser condenado a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana”
Muita gente se indignou e com razão, tem uma corja dessa nova intelectualidade que por meio de relativismos fica tentando diminuir as atrocidades cometidas no passado: a ditadura já não foi mais tão dura e o escravo já nem era tão mal tratado.
Como professor de História concordo que o campo da História sofre constantes revisionismos, mas torturas e assassinatos em massa em um passado tão recente do nosso Brasil não há filha da puta que possa esconder.
O holocausto nazista teria sido mais light se em outro país tivessem matado 18 milhões de judeus ao invés dos "pífios" 6 milhões do regime alemão?
Ver a vida em números torna tudo muito impessoal, o jornal fala que tantos por centos de fulanos de tal da etnia x morreram no país y da África e tudo fica tão distante.
As guerras não matam 100.000 soldados, matam
1 cara que gostava de ler Stephen king
1 que tinha sonhava compra um carro novo
1 caipira que sonhava ir pra universidade
1 futuro médico obstreta
(...)
Não da pra negar que quanto mais o tempo passa mais frios ficamos com as tragédias de tempos remotos, os mortos do Coliseo não chocam mais ninguém e Nero já virou figura caricata, mas não acredito que os anos malditos do regime militar já estajam tão longe na história a ponto de se tornarem meramente estatísticas.
A melhor resposta a matéria se deu no prórprio jornal uns dias depois por outro jornalista que dentre outras coisas escreveu:
"isso se deu porque a esquerda armada daqui era menos organizada e foi mais facilmente dizimada, não porque nosso militares tenham sido brandos"
1 Comment
é uma pena que os mortos não podem falar,do toque de recolher as lutas de Chico Pinto,fico besta quando vejo relatos antigos de pessoas que levavam choque eletrico nas partes genitais,até hoje mães esperam noticias dos filhos.Ditabranda?Quem viveu sabe...
Posted on 6 de março de 2009 às 01:39