Viva os vira latas.

Dedurado por InSaNo em 22:21

A uns dias atrás dando uma olhada no G1, li essa notícia aqui, sobre um protesto da PETA contra a adoração à raça pura em cães, no instante que vi não entendi muito bem o "porque" da revolta e tachei a manifestação como um ato rebelde radical e inútil da PETA.

E nesta presente data chega a Superinteressante do mês pelos correios com a seguinte capa: "Cachorros: Por que eles viraram gente", devido a minha curiosidade sobre os bichos já fui direto à matéria assim que pude: no começo nada que não soubesse, conta a história do surgimento do cão, que evoluiu de lobos e chacais escolhidos pela seleção natural por serem mais docéis com os seres humanos e, consequentemente, terem se aproximado mais dos acampamentos, criando com o tempo um isolamento geográfico necessário para se distanciar como espécie do lobo tradicional (canis lupinus) e se tornar o Canis familiaris.

Como o tempo o homem foi conduzindo uma espécie de seleção "natural" induzida (esse termo foi totalmente criado por mim, não tentei googlar) de acordo com as necessidades do bicho, o bicho homem claro! Se queria um cachorro pra caçar animais em buracos então pegava as crias mais anatomicamente viáveis para tal situação e cruzavam as mesmas entre si até surgir o tipo "salsicha". Se a inteção era ter um cachorrinho pequenininho, fofinho, peludinho, "cut cut zinho", fazia-se o mesmo processo com cães que tinham tais características até se conseguir os traços desejados.

A pártir do século XIX com a segunda revolução industrial e o advendo do exôdo rural (de homo sapiens sapiens e Canis familiaris), e das grandes cidades, essa obstinação humana em criar raças tomou um ritmo frenético e paranóico. De acordo com a revista se em 1800 existiam cerca de 20 raças, hoje existem mais de 200!! Naturalmente os cachorros comem as próprias mãe, tias, sobrinhas, mas o que os criadores de raças puras fazer muitas vezes é deixar os cães se reproduzerem SOMENTE entre seus familiares para poderem passar os traços desejados pra próxima geração, o problema é que aquele fucinho rosado tão raro que o filhote recebe do papai vem junto com a probabilidade de um monte de doenças genêticas herdadas de acordo com a raça. Esse papo que cachorro de madame ficar doente a toa não é mito, cachorros com Pedigree tem propensão maior a certas doenças que o bom e velho vira lata. O infográfico abaixo mostra um pouco do que to dizendo:



A coisa tomou uma proporção tão grande pra saúde dos bichos que na Ingleterra já surgiram leis pra barrerarem esses hábitos bestas dos criadores: "O Kennel Club inglês decidiu alterar os padrões oficiais de 209 raças para tentar reverter os exageros e driblar as falhas genéticas. O bassê não pode mais ter pele solta, o labrador não pode ser gordinho, o pastor alemão deve ter as patas traseiras maiores. E ficam terminantemente proibidos os cruzamentos entre cães da mesma família(...)" (Super Interessante mar 2009).

Sem contar que essa adoração pelas raças patrocina o cruel mercado de animais, inegável pra qualquer um que more numa cidade com mais de 60 mil habitantes e que tenha uma agropecuária ou PetShop, não é muito agradável ver dalmatas filhotes chorando em gaiolas. E a melhor forma de ajuda-los talvez seja não comprando eles , e sim deixando de patrocinar essa forma de comércio. Talvez...


Pra mim o nível de "fofura" do animal poderia ser inversamente proporcional a seu sofrimento, ao contrário do que acontece, quanto mais "fofo" mais ele está sujeito a doenças genêticas, comércio em PetShops, vida de exposições idiotas e roupinhas pouco funcionais pra um "filhote de lobo".

Pra fechar, uma imagem da minha teckel Bulíca achada na rua :) :