Certo dia, numa conversa com amigos, comentei sobre um filme nacional (não me lembro mais qual) que tinha visto e tinha achado muito bom, e um dos presentes disse "Eu não gosto de cinema nacional" e então perguntei "por quê?" a ele, afinal podia existir uma boa explicação, mas essa boa explicação não veio, ficou só no "Num gosto e pronto", daí percebi o preconceito que muitas pessoas tem em relação ao nosso cinema, parece que até hoje tem gente que pensa que cinema nacional é sinônimo de putaria e palavrão, herança da produção cultural em épocas da ditadura, onde só existia espaço para abordar temas sem profundidade alguma, afinal se um filme fosse intitulado "A dama de vermelho" era capaz da censura proibir, acusando a dama de vermelho de espiã comunista, é nessa época que nascem títulos como:"História que nossas babás não contavam" (1979): que traz a história de uma branca de neve mulata gostosa que transa com os 6 anões (porque um deles é gay) enquanto o caçador (especializado em caçar veados) interpretado por nada mais nada menos que Costinha vai atrás da mesma (literalmente)
"Amor estranho amor" (1982): O polêmico pornochanchada estrelado por Xuxa (não é o da natação), onde a personagem (funcionária de um bordel) da uns esfregas num moleque de 12 anos chamado Hugo.
Entre outros como "Nos tempos da vaselina" (1979), "A árvore dos sexos" (1977), "A superfêmea" (1973) e "Kung Fu contra as bonecas" (1976).
E quando tentavam fazer algum filme com temas interessante saiam lixos como "A guerra dos Pelados" (1970) (Obs.: esse apesar do titulo não é pornô). Lógico que não podemos reduzir a produção nacional a isso, Mazzaropi que o diga, mas infelizmente o país viveu uma geração de recrudescimento da produção cultural de qualidade, que tinha tudo pra alavancar se formos levar em conta o nascente Cinema Novo de Glauber Rocha. Isso tudo se somou à invasão das produções norte americana, longe de querer dizer que eram ruins, mas tinham muito menos a ver com a nossa realidade imediata, um exemplo recente disso foi o prêmio que o personagem Dirty Harry (Perseguidor implacável - 1971) ganhou de "maior Badass do cinema" ( numa tradução livre seria "o mais fodão"): quem viu o filme do cara sabe que ele não chega nem aos pés do nosso Cap. Nascimento.
Meados da década do 80 chega e a ditadura acaba de vez, com ela a oportunidade de se fazer bons filmes com a nossa cara, mas a falta de investimento/confiança juntamente com as reprises dos pornoschanchadas na Band de madrugada parecem afugentar esse potencial, e o brasileiro médio anos 90 ainda cresce com as imagens de Rambo e Chuck Norris.
Então chega o ano 2000 e o palavrão desnecessário de "Como nascem os anjos" (1996) vira palavrão dentro de um enredo criativo, real e com a cara dos nossos conflitos em "Cidade de Deus" (2002) , não mais o rapper revoltado com um rádio enorme nos ombros dos filmes gringos, agora temos o menor rebelde que diz "Já matei já roubei, sou sujeito homem".
Daí pra cá o cinema nacional tem um boom, os cenários populares são os que mais aparecem, seja na favelas, ou seja no Nordeste pobre (Abril despedaçado, Amarelo Manga, Baixio das Bestas), com começos ou meios ou finais (as vezes os três) nada felizes , um tendência do cinema nacional que se destaca do gringo Hollywoodiano, e que na minha opinião atinge seu auge no recente "Feliz Natal" (2008), primeiro filme dirigido por Selton Melo.
Mesmo com toda essa carga de cinema com a nossa cara, e sem precisar de dublador pra quem tem preguiça de ler, ainda existem pessoas que preferem ver nas telas filmes com enredos/fotografias/humor mais perto do modelo gringo, e até mesmo esse público a produção nacional conseguiu alimentar: "Bendito fruto" (2004) é um uma comédia romântica de final feliz com personagens bem mais a nossa cara do que o manjado casal Angelina Jolie e Brad Pitt, isso sem contar os recentes "Se eu fosse você" 1 e 2, e essa tendência não para, esse ano sai mais uma comédia nesse moldes: A mulher invisível. Cinema nacional hoje existe para quase todos os gostos: desde das comédias infantis de "Guerreiro Didi e a ninja Lili" (2008)
passando por dramas que te fazem grudar na tela como "Meu nome não é Johnny" (2008) até aqueles mais aos moldes do nosso país que retratam os horrores da ditadura "Batismo de sangue" (2007), só não tem pro gosto de quem quer bater o pé e dizer "Cinema nacional é ruim e pronto" e achar que o melhor do cinema nacional está em "Brasileirinhas"
E você? É mais Dirty Harry ou Capitão nascimento?






1 Comment
Vou te falar uma coisa... Não fico nem com Cap. Nascimento nem com Dirty Harry...
Fico do lado dos bons filmes, principalmente quando ele chega até mim de uma forma simples, leve e que me traga alguma informação...
Não que filme porno não traga! rsrs
mais acontece que tenho amigos que são assim. (Chrono/Eduardo)
Esse ai bate o pé que não gosta de filme nacional e pronto e jamais da uma explicação convincente sobre os motivos de não gostar... Talvez seja porque nossos filmes ainda não saiam com a High Quality dos Holywoodianos cheio de efeitos especiais.
Acontece que filmes como Cidade de Deus, Auto da compadecida, Central do Brasil, Meu nome não é Jonhy e outros são perfeitamente "assistivéis" quando os Beijamin Buttons da vida... E pra finalizar eu prefiro os 4 filmes brasileiros que citei acima do que o grande e glamuroso agua com açucar Titanic O barco do Além...
Só acho que exagerou em citar "Guerreiro Didi e a ninja Lili"...
Mais isso agente releva...
Tah de parabens!
Posted on 22 de maio de 2009 às 17:11